Andando por Braga

Já há alguns anos Braga ganhou uma nova via de circulação. Chamemos-lhe a variante de Lamaçães. Uma via aparentemente, pelo menos, bem pensada: duas faixas de rodagem em cada sentido e com uma largura aceitável, passeios para peões, rotundas que evitam congestionamento (nem sempre acontece, mas neste caso parece-me que sim), boa sinalização... Até aqui tudo bem, mas (há sempre um "mas") antes das últimas eleições autárquicas, coincidência ou não, e dado que esta era uma via bastante concorrida para as caminhadas, corridinhas e voltinhas de bicicleta, a autarquia resolveu dotá-la de uma ciclovia, que complementaria o passeio para peões... Tudo bem, não tivessem sido as duas faixas de rodagem de cada sentido reduzidas na largura em cerca de 1 metro, no seu conjunto. Ainda assim não é grave, uma vez que ainda se consegue circular bem de automóvel, mas o resultado final poderia ter sido bastante melhor. Poderíamos falar de outras questões, mas vou ficar apenas por uma outra (um outro "mas", embora pudessem ser comentados outros): as passadeiras... Veja-se nas três primeiras fotos: quem atravessa as faixas de rodagem vê-se obrigado a passar por cima das áreas ajardinadas, ou reservadas a tal... E as cadeiras de rodas e carrinhos de bebé? Não passam por ali? Mesmo que não se queira temos de passar por cima da terra ou do relvado. É também interessante constatar que por vezes existem árvores que foram colocadas em sítios pouco pensados...

No entanto, há algumas semanas alguém decidiu remover estas barreiras que nada contribuem para a boa circulação pedonal. Veja-se a última foto. Ufa... parece que alguém com responsabilidades na autarquia bracarense repararou na questão... Só é pena que as obras decorram tão lentamente, pois já passaram várias semadas desde o seu início e ainda nem metade das passadeiras foram corrigidas. Também não faz mal... afinal em Portugal estamos habituados a que assim seja...

4 comentários:

Eduardo F. disse...

Péssima escolha, o piso para essa "passagem" para o outro lado.

Bem, falando de outro aspecto dessa variante, talvez a velocidade dos carros seja mesmo para estimular os parzinhos-de-fim-de-tarde a caminharem depressa.

Não é aprazível, nem atractivo. Mas é a minha opinião.

António J. M. Correia disse...

Realmente a escolha do piso foi uma decisão infeliz. Existem as mais variadas formas de eliminar as "barreiras" sem ser necessário recorrer à fabulosa impermeabilização com alcatrão...

Existem muitos mais aspectos que poderiam ser discutidos, mesmo para além da velocidade de circulação... ali só se pode circular a 50 km/h, mas as características da via facilitam os excessos. Não existe nada que faça reduzir a velocidade (mesmo as rotundas têm uma configuração oval, permitindo, a quem percorre toda a circular, a passagem sem ser necessário tocar no travão. Também raramente por lá andam agentes da autoridade...

Também na minha opinião o resultado final não é atractivo.

Eduardo F. disse...

Noutras cidades, como eu costumo ver, pela televisão, (à falta de melhor, né?...) por exemplo em Madrid ou Barcelona, as pessoas caminham e - aqui é que é importante e volto a insistir - ESTÃO. Há espaços verdes, seja para estar, seja para manutenção.

Está tudo na mentalidade enraizada e suas manifestações no ordenamento urbano.

António J. M. Correia disse...

O caso da cidade de Braga é (chamemos-lhe) gritante, mas reflecte o panorama geral do país... Não se criam espaços verdes, de lazer que levem as pessoas a "usar" a cidade. Enfim, é a política do cimento. Cá, se queres correr ou fazer uma caminhada, tens de o fazer na beira da estrada... só é pena que não tenhamos a PSP, GNR ou lá o que seja para fechar a rua quando lá passamos, tal como fazem às personalidades nas visitas oficiais ao nosso país ou durante a visita do nosso 1º ministro à Rússia... :)