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Urbanismo: um direito ou um dever?

As duas fotos abaixo ilustram o ponto de situação, no passado mês de Abril, de uma edificação que está a ser feita na Vila do Gerês.
Quanto às mesmas o que dizer? Muito ou nada... Nada, porque elas "falam" por si! Muito, porque o novo edifício simplesmente não encaixa no local.
Temos volumetria desadequada que contrasta drasticamente com os restantes edifícios da envolvente; Construção de alta densidade em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês; Local de grande interesse turístico (provavelmente o que contribuiu para este panorama) onde existe uma estância termal, caracterizado pela harmonia e calma (harmonia agora quebrada...); Os edifícios que fazem fronteira à nova construção parecem "esmagados" por esta; O fundo do vale foi praticamente todo ocupado. Será que se colocou a hipótese de aproveitamento hídrico? (duvido...)... Fiquemos por aqui para não entrarmos noutras questões como a de saber quem é o proprietário da obra e de qual é o interesse de um mamarracho* destes num local como a Vila do Gerês.

Construção vista no sentido ascendente da EN 308-1 (aprox. S-N)

Construção vista no sentido descendente da EN 308-1 (aprox. N-S)
(A Este do fundo do vale situa-se a Rua Dr. Manuel Gomes de Almeida)
* Definição de "mamarracho" na
Priberam: 'do Lat. mamarracho; s. m., figura defeituosa e ridícula; pintura ou escultura mal feita; qualquer obra mal feita, imperfeita.'

Arte decorativa?!

Quem vai em direcção ao S. Bento da Porta Aberta ou em direcção à Vila do Gerês depara-se com uma situação, no mínimo, insólita... Junto à rotunda situada no lugar de Paredes, no Rio Caldo, que fica na confluência das duas pontes aí existentes e a partir da qual se pode ir tanto para o Santuário de S. Bento como para a Vila do Gerês, existe qualquer coisa que é difícil de definir. Será Arte? Modernismo (para enquadrar na recente reconversão do local)? Incompetência? Ignorância? O que é não sei, mas que já foi uma árvore, isso já... Pode ser que daqui a uns meses, lá para meados de Novembro, lhe coloquem uma iluminação natalícia, já que não servirá para muito mais...

Foto de Abril de 2008

Com um desbaste daqueles (desbaste porque aquilo não é uma poda) qual seria o resultado que esperavam obter? Por muita capacidade de regeneração que uma espécie tenha, parece óbvio que aquilo foi demais. Imaginemos: um Ser Humano ao qual se cortam os membros superiores, os membros inferiores e a cabeça, deixando-se um qualquer mecanismo para a introdução de alimentos no estômago (como se fossem as raízes da árvore). Um bocado mórbido, mas deixa-se a pergunta: iria sobreviver?

Portagens no parque

Desde o passado dia 1 que para se atravessar a mata da Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, se paga 1,5€. Esta medida tem como objectivo diminuir o número de veículos que atravessa a mata, combatendo a "invasão" que é habitual nos meses de Verão para preservar a biogenética do local. Veja-se a notícia publicada no Diário do Minho.